quinta-feira, 1 de março de 2012

Jornalismo de Deboche

Stephen Kanitz

Muitos leitores perguntam por que nunca escrevo artigos ridicularizando George W. Bush, desancando o governo PT ou ridicularizando as bobagens ditas por algum de nossos governantes.

Não faço este tipo de colunismo porque é ilimitada a quantidade de bobagens feitas por seres humanos. Estaríamos destruindo todo o papel do planeta se comentássemos cada besteira feita. Depois, o tempo do leitor é curto, um jornalismo construtivo deveria também divulgar possíveis soluções e não ficar somente na crítica dos erros dos outros.

Leitores são presas fáceis desta forma de crítica jornalística, porque ela insinua equivocadamente que somos superiores aos nossos semelhantes, governantes e amigos.
Noventa por cento das nossas conversas é para se comentar gafes e fracassos dos amigos, nunca suas conquistas e realizações, por isto nunca sou o primeiro a sair de uma festa de amigos.

O jornalista do deboche sabe que o sucesso do outro incomoda, e se aproveita disto. O jornalismo do deboche não somente mostra que somos supostamente mais inteligentes do que os que estão no poder, mas tem uma outra coisa “freudianamente” muito importante: mostra que o colunista é mais inteligente do que todos nós juntos.

Não pelas suas idéias originais, critério único para se medir inteligência, mas pela burrice dos outros que o jornalismo do deboche tem o prazer de desancar. Como o debochador sempre trata do passado, quando os erros já são óbvios e evidentes, ele tem sempre a vantagem da onisciência, algo que o governante não teve na hora da sua decisão.

Não faço referência àqueles que escrevem uma crítica de forma construtiva, precisamos ser informados das mazelas e erros do governo. Um artigo debochado de vez em quando nos faz rir e permite agüentar o fardo da incompetência alheia. Mas muitos fazem do deboche a sua especialidade,sua razão de ser.

O jornalismo deve criticar e ao mesmo tempo propor soluções para serem discutidas, inclusive correr o risco de ver a idéia debochada. Só que aí, o artigo teria de ser inovador, competente, criativo, sensato, conciliador, persuasivo e corajoso. A crítica barata é muito mais fácil do que a análise profunda. A análise requer pesquisa, números e estatísticas, o deboche só precisa de uma língua afiada.

Se você adora o jornalismo do deboche, porque ele é engraçado, lembre-se que você está rindo de si mesmo, e embora autocrítica e umas risadas sejam sadias, limitar-se a isto é dar um tiro no pé. O Brasil está diariamente dando tiros no pé, e achando graça.

Num congresso de estudantes colocaram-me para falar em penúltimo lugar, e o encerramento foi feito por um profissional do deboche. Ele simplesmente destruiu o meu discurso otimista anterior, dizendo que o Brasil jamais daria certo, de que estávamos condenados pelo gene do patrimonialismo português, que o fracasso estava no nosso sangue, e assim por diante. Para a minha grande surpresa, a platéia simplesmente adorou. Riam a valer, e no final aplaudiram de pé. Inacreditável para mim!

Se um grande intelectual prevê que o Brasil jamais dará certo, não precisamos nos esforçar. Pode-se justificar o nosso fracasso pessoal, nossa mediocridade individual, como sendo inevitável, é nosso destino. “Não preciso melhorar, a culpa não é minha, a culpa é do Brasil, a culpa é dos portugueses”.

Muitos de nossos intelectuais jogam para a platéia, curvando-se à força do mercado, um discurso de que jamais daremos certo, quando a função do intelectual seria justamente mostrar as soluções, mostrar o caminho, mostrar o que nós pobres mortais não vemos.

Onde estão os poetas que antes nos inspiravam e motivavam, onde estão os filósofos que nos mostravam a essência do que está ocorrendo, onde estão os padres com seus sermões edificantes, onde estão os visionários que nos mostravam o caminho? Eles estão presentes como sempre estiveram, mas hoje estão sem platéia, porque o jovem brasileiro está encantado com o discurso do deboche, é sempre mais fácil culpar os outros.

O jornalismo do deboche é um fenômeno mundial, atingiu até o New York Times. Se acabou acreditando que você é mais competente que Lula, FHC ou Bush, consulte um especialista.

O mundo não é tão simples nem tão ridículo quando lhe fizeram imaginar. Graças a Deus!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

DIFERENÇA QUE FAZ A DIFERENÇA

"Os desejos primários de todas as pessoas são: ser felizes, progredir e ganhar mais dinheiro. Uma forma efetiva de alcançar estes anseios é sendo ricos e prósperos. Assim como há pessoas pobres e ricas, há países pobres e países ricos. A diferença entre os países pobres e os ricos não é a antigüidade do país. Fica demonstrado pelos exemplos de países como Índia e Egito, que tem mais cinco mil de anos de história e são pobres. Ao contrário, Austrália e Nova Zelândia, que há pouco mais de 150 anos eram quase desconhecidos, hoje são, todavia, países desenvolvidos e ricos. A diferença entre países pobres e ricos também não está nos recursos naturais de que dispõem, pois o Japão tem um território muito pequeno e 80% dele é montanhoso, ruim para a agricultura e criação de gado, porém, é a terceira potência econômica mundial: seu território é como uma imensa fábrica flutuante que recebe matérias-primas de todo o mundo e os exporta transformados, também, a todo o mundo, acumulando sua riqueza. Por outro lado, temos uma Suíça sem oceano, que tem uma das maiores frotas náuticas do mundo; não tem cacau mas possui o melhor chocolate do mundo; em seus poucos quilômetros quadrados, cria gado bovino e ovino, bem como cultiva o solo quatro meses por ano, já que o restante do ano, é inverno, mas tem os produtos lácteos de melhor qualidade de toda a Europa. Tal como o Japão não tem recursos naturais, mas dá e exporta serviços, com qualidade muito dificilmente superável; é um país pequeno que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, que o converteu no Caixa Forte do Mundo. Também não é a inteligência das pessoas a tal diferença, como demonstram estudantes de países pobres que emigram aos países ricos e conseguem resultados excelentes em sua educação, muitos deles por lá ficam trabalhando nos centros tecnológicos mais avançados desses países; outros exemplos são os executivos de países ricos que visitam nossas fábricas e ao falar com eles nos damos conta de que não há diferença intelectual com os nossos executivos. Finalmente não podemos dizer que a raça faz a diferença, pois nos países centro-europeus ou nórdicos vemos como os chamados ociosos da América Latina (nós!!) ou da África, demonstram ser a força produtiva e criativa nesses países.

O que é então que faz a diferença?

A ATITUDE DAS PESSOAS FAZ A DIFERENÇA !

Ao estudar a conduta das pessoas nos países ricos se descobre que a maior parte da população cumpre as seguintes regras, cuja ordem pode ser discutida:

1. A moral como princípio básico.

2. A ordem e a limpeza.

3. A integridade.

4. A pontualidade.

5. A responsabilidade.

6. O desejo de aperfeiçoamento.

7. O respeito às leis e aos regulamentos.

8. O respeito ao direito dos demais.

9. Seu amor ao trabalho.

10. Seu esforço pela economia e investimento pessoais.

Necessitamos de mais leis? Não seria suficiente cumprir e fazer cumprir estas 10 simples regras? Nos países pobres, só uma parcela mínima (quase nenhuma) da população segue estas regras em sua vida diária. Somos pobres porque ao nosso país faltam riquezas naturais? Ou porque a natureza foi cruel para conosco? Ou porque o nosso povo não é inteligente? Ou simplesmente por Nossa Atitude? Nos falta um bom caráter para cumprir estas premissas básicas de funcionamento das sociedades. Oxalá que o nosso povo tão alegre e criativo possa desde já, levar em conta essas atitudes que fazem toda a diferença!

Autor desconhecido













sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PASTOREANDO O CORAÇÃO DA CRIANÇA

Tedd Tripp
  
Aos pais discípulos de Cristo que têm filhos sob a sua autoridade. Li o texto abaixo no livro: Pastoreando o Coração da Criança, Tedd Tripp, Ed. Fiel, 8ª Reimpressão 2010, pp. 65/66 e passo a compartilhar com vocês aluns trechos:

Muitos pais cristãos nunca deixariam seus filhos estudarem em escolas públicas, mas colocam-nos em aulas de dança. Recusam-se a deixá-los sob a influência do humanismo secular, na escola, mas os deixam expostos a conceitos de beleza não-bíblicos em aulas de dança.

Quando pergunto porque colocam seus fios nessas aulas, explicam-me que isso tem ajudado o senso de auto-estima das crianças. Existem passagens bíblicas que ordenam o desenvolvimento da auto-estima como objetivo bíblico? Não deveriam estar mais preocupados com um conceito correto sobre nós mesmos? É bíblico construirmos a auto-estima com base na capacidade de se desenvolver uma habilidade física? Não estaríamos encorajando o orgulho proveniente da capacidade de atuar? ...

Muitas destas atividades ensinam seus filhos a confiarem em si mesmos, enquanto a Escritura ensina a pessoa confiante em si mesma é um tolo, cujo coração se afasta de Deus. O amor-próprio e a autoconfiança que a nossa cultura proclama sempre leva o coração a afastar-se de Deus”.

Comentário meu: De fato a ênfase a confiarmos em nós mesmo é um padrão humanista. A Bíblia diz de forma diferente: Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará (Sl 37.5).
Confie no SENHOR de todo o seu coração e não se apóie em seu próprio entendimento (Pv 3.5, NVI).
Deus me ajude a assim, agir como pai, e a todos os meus irmãos para cada vez mais agradarmos ao nosso Senhor!  

Aos pais e filhos
Como os nossos filhos se portariam diante da situação em que deveriam ser amáveis como os que os insultam? Quando o coração dos nossos filhos desejam vingança, quando precisam de força para amar o inimigo, quando a deles exige que deixem espaço para a justiça de Deus: nãopara onde ir senão à Cruz. Eles não poderão conhecer estas atitudes sem conhecer a Cristo. Então nós precisamos estar apontando para os nossos filhos a Cristo, sua obra naqueles que o buscam, seu poder e sua graça; nãooutra escolha para quem quer viver o padrão que Ele estabeleceu. Não existe o ‘bateu levou’, ‘eu quero justiça’, mas "Se o seu inimigo estiver com fome, comida a ele; se estiver com sede, água. Porque assim você o fará queimar de remorso e vergonha." (Rm 12.20, NTLH). Comentário meu ao parágrafo da p. 72 do livro: Pastoreando o Coração da Criança, Tedd Tripp, Ed. Fiel, 8ª Reimpressão 2010. 

Aos Pais: Breve Comentário Sobre a Comunicação Com os Filhos 
A comunicação não apenas disciplina. Ela também discipula; pastoreia o coração dos filhos nos caminhos de Deus. Como é ensinado em Deuteronômio 6. Esta comunicação é dinâmica, ocorre ao deitar, ao acordar, ao levantar, ao andar, ao sentar
Frequentemente, os pais estão muito ocupados para falar, a menos que algo esteja errado. Um hábito regular de conversação frequente prepara o caminho para se conversar em situação de crise. Nós nunca teremos os corações dos nossos filhos, se conversarmos com eles somente quando algo estiver errado.
Este comentário é baseado no livro: Pastoreando o Coração da Criança, Tedd Tripp, Ed. Fiel, 8ª Reimpressão 2010, pp. 109/110.

sábado, 5 de novembro de 2011

SITE DE PERGUNTAS E RESPOSTAS AOS ÓRGÃOS PÚBLICOS

borah Salves
O Brasil agora tem um portal em que usuários podem fazer perguntas aos órgãos de administração públicos e consultar as respostas oficiais. O Queremos Saber é inspirado no What Do They Know, do My Society (que também lhe empresta o código Alaveteli), e baseia-se no conceito de que "cidadãos têm direito de saber o que seu governo está fazendo". Nesse sentido, as respostas recebidas dos órgãos são automaticamente publicadas na página.
A intenção do Queremos Saber (www.queremossaber.org.br) é facilitar a transparência para ambos os lados: o cidadão consegue a informação de que precisa, e o órgão evita responder à mesma pergunta várias vezes - uma vez que a base de dados fica disponível para consultas -, explica Pedro Markun, membro do Transparência Hacker e um dos criadores do site verde-amarelo.
"É tudo feito automaticamente: a gente cadastra (isso sim, manualmente) o órgão e o respectivo endereço de e-mail, e quando alguém faz uma solicitação, o sistema gera um endereço de e-mail único e envia o pedido para a administração escolhida", explica Markun. O sistema ainda precisa ser aperfeiçoado, lembra. "Precisamos sentar para pensar e discutir como o site vai de fato interagir com os poderes", esclarece.
O portal faz uso da Lei de Acesso à Informação Pública, aprovada no Senado em 25 de outubro, que determina que o governo deve fornecer dados sobre sua administração à população. A legislação ainda precisa ser sancionada pela presidente, mas após isso, todos os órgãos deverão ter serviços que permitam ao usuário conseguir essas informações.
Markun conta que a ideia de criar o site surgiu no sábado, durante um HackDay - encontro de hackers em que são desenvolvidas, em conjunto, ferramentas para os cidadãos - e que na segunda-feira uma espécie de versão beta já estava no ar. No fim de semana, cinco pessoas estavam na Casa de Cultura Digital, participando da reunião, e até o site ficar pronto outros cinco voluntários se juntaram ao projeto.
Um lançamento oficial deve ser planejado assim que a ferramenta se aperfeiçoar em alguns pontos, e deve esperar, também, a sanção de Dilma Rousseff à Lei de Acesso à Informação Pública. De acordo com Markun, até agora a divulgação do Queremos Saber foi feita via redes sociais, a partir de um tweet seu, "outros tweets e retweets e facebooks - a vida agora funciona assim".
Além do Transparência Hacker, a Open Knowledge Foundation participou da implementação do site.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

POR QUE NÃO TÍTULOS?

Telmo Weber
Volta e meia somos perguntados por que nossos pastores não se agradam dos títulos de “reverendo”, “presbítero” ou mesmo “pastor” antes de seus nomes, e por que nós mesmos, como congregação, não temos um nome, uma denominação específica para “facilitar mais as coisas”. Respondamos por partes.

Quanto aos títulos antes dos nomes o que nos leva a não adotar esta atitude é a palavra forte de Jesus em Mateus 23.7-12: “...eles (os fariseus) amam o serem chamados de mestres pelos homens. Vós, porém, não sereis chamados mestres (nem guias, nem pais), porque um só é vosso Mestre e vós todos sois irmãos”.

Em nossos dias diríamos: há os que gostam e fazem questão de serem chamados de doutor, reverendo, padre, mestre, pastor. Isto lhes dá mais importância e certo status que, em quase todos os casos, só estimula sua vaidade. Não podemos esquecer que, quando a Bíblia se refere a pastor, mestre, apóstolo, profeta, evangelista está salientando as funções que eles exercem no corpo de Cristo. Ao referir-se a alguém com estas funções, diga simplesmente como Paulo: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus”, ou seja, ele está se chamando pelo próprio nome, identificando-se como apóstolo (enviado) de Cristo, salientando assim sua função para o corpo. Hoje podemos dizer assim: o irmão Ismael que é pastor na congregação tal. Ou, mais simplesmente, o Ismael.

“Vós todos sois irmãos”, disse Jesus, e é assim que podemos nos tratar desde que isto não se torne também um título honorífico que nos distancie (a propósito, veja Pedro chamando Paulo de “nosso amado irmão Paulo” em 2 Pe 3.15). Deus quer que sejamos íntimos uns dos outros. Quando temos intimidade com uma pessoa amada como a tratamos? Não é chamando-a pelo próprio nome? Paulinho, vem cá! Priscila, como vai? Já pensou chamar seu marido assim: Senhor Pereira, ou sua esposa, Dona Maria, pode me dizer as horas?

É verdade que, em alguns casos, fica-nos difícil tratar com intimidade alguém que não conhecemos bem, pois parece falta de respeito. Nestes casos, diga-se como já está convencionado na sociedade: Seu José, Dona Maria, Sr. Rodrigues, Sra. Mercedes.

Quanto a nomes ou denominações de igreja não usamos simplesmente porque Jesus não usou e isto nos basta. Em tudo devemos ser simples como Ele e nosso desejo é voltar àquela simplicidade que havia na igreja do Novo Testamento. Jesus chamou seu povo pelo nome que Ele próprio deu: Igreja. “Eu edificarei a minha igreja” (Mt 16.16).

A salada mista das mais diferentes e estranhas denominações cristãs está a atestar algo que muito deve entristecer o Espírito Santo: a nossa divisão, as nossas contendas, que em muitos casos vieram trazer nomes diferentes à amada Igreja do Senhor. Os católicos, a mais antiga denominação do cristianismo, passaram a chamar-se assim desde que se consideraram igreja mundial, universal (sentido da palavra católico). Os ortodoxos porque se separaram dos católicos no mundo oriental, os protestantes porque protestaram contra os erros dos católicos e eles próprios se dividiram muitas vezes entre si, geralmente por causa de ênfases doutrinárias de seus fundadores. Os luteranos acabaram recebendo o nome de seu próprio reformador Lutero, os batistas por causa de sua ênfase no batismo de adultos, os metodistas porque viviam uma vida cheia de regras ou métodos, os pentecostais pela ênfase no que aconteceu no dia de Pentecostes, e assim a lista foi aumentando até chegar às 257 ou mais diferentes denominações que temos hoje. Alguns argumentam que não há importância se temos uma denominação desde que não tenhamos o “espírito” da denominação. Sabemos que mesmo as comunidades ou congregações sem denominação podem ter também um espírito altivo que os separa dos demais. Mas preferimos não autodenominarmos por dois motivos: porque isto contribui para confundir o mundo (atestando nossa divisão) e, principalmente, porque Jesus não deu um nome à sua igreja. É suficiente para nós sermos Igreja, “o povo chamado para fora do mundo”. O que vemos no Novo Testamento é: a igreja em Éfeso, a igreja em Roma a igreja que se reúne na casa de fulano, as igrejas dos santos, as igrejas de Cristo em vários lugares.

Se alguém, pois, te fizer aquela pergunta tão comum: de que igreja você é, responda: daquela que Jesus comprou com seu sangue. Se ele insistir um pouco mais, diga-lhe onde nos reunimos dando nosso endereço. Assim você já estará dando um belo testemunho do que é ser discípulo de Jesus e ser verdadeira e simplesmente “igreja”.

Em resumo: Deus nos ajude a, com ou sem nome, “Preservarmos a unidade do Espírito no vínculo da paz” com todo e qualquer irmão que foi lavado no sangue de Jesus e é habitado pelo Seu Espírito, declarando que Jesus é seu Salvador e Senhor. Esta é a única base, a essência de nossa unidade. Havendo isto, temos mesmo é que dar-nos as mãos e proclamar ao mundo o evangelho do Rei e do Reino, que é a única mensagem que tem poder para transformar vidas e criar um só rebanho sob a direção do supremo Pastor.

Fonte:Igreja Em Porto Alegre

A QUEM PERTENCE? Versão original atualizada


O nosso país teve três povos básicos na sua formação étnica: o português, o africano e o índio, todos sem autodeterminação; dirigidos, ou pela nobreza, diretamente de Portugal (no caso dos nobres falidos que vieram ganhar a vida no Brasil para saldar suas dívidas na Metrópole), ou pelos senhores de engenho (que subjugavam os negros e índios).

 Certamente essa visão de que o capital, o patrimônio ou mesmo o instrumento de trabalho pertence ao patrão, levou o brasileiro culturalmente, a ter pouco ou nenhum zelo pelo patrimônio público, imaginando que este não lhe pertence, mas sim ao seu “patrão-colonizador-explorador”, o Estado.

 Conhecemos expressões como: “o Estado é rico”, “não sou eu mesmo quem paga...” etc. Puro engano! Somos nós sim que pagamos, com os impostos arrecadados.

 A compreensão do que é viver em comunidade é muito tênue, nos grandes centros urbanos, onde impera o individualismo, o comodismo, o imobilismo e outros “ismos”, que têm contribuído para enfraquecer o que é comum, solapando também, o sentimento da própria solidariedade humana.

 Poucos são os cidadãos que se atrevem a cuidar de uma árvore que foi plantada em frente à sua casa, regando-a em tempo da seca. Por certo, a maioria pensa que é isso coisa para o Governo. Dada a nossa realidade, ficamos envergonhados quando em certo noticiário sobre o Japão, vimos senhoras de uma grande cidade varrendo a calçada em frente às suas casas.

 Há alguns anos atrás, ficamos atônitos ao ouvir uma entrevista na qual o Secretário da Educação do Distrito Federal, à época, afirmava que o Governo daquela Unidade da Federação gastava por ano, na reforma do mobiliário escolar depredado, o equivalente ao dispêndio com a construção de três escolas. Que tristeza!...

 Certas pessoas no poder confundem os bens públicos com os seus particulares.

 No nosso país o vocábulo “mordomia”, é empregado de modo mais usual, vinculado aos benefícios de quem, de forma e modo privilegiado, beneficia-se dos recursos públicos, em decorrência do exercício de um cargo relevante na Administração Pública. Tal conotação constitui-se desvirtuamento do significado etimológico da palavra, que é: cargo ou ofício do mordomo (administrador), e não os benefícios por ele auferidos.

 É sabido que há um princípio da Física que “a cada ação correspondente uma reação”. Lembramos que na história de alguns países do terceiro mundo, ditadores e seu bando, ao longo de gerações ou mesmo no período em que estiveram no poder, realizaram verdadeira pilhagem na economia de seus países, e, quando foram derrubados, ficaram correndo de país para país, até que a opinião pública internacional os esquecesse. Consequência: o país sempre é deixado em estado deplorável.

 A “lei de Gerson” está arraigada na mente de uma parcela expressiva dos cidadãos brasileiros, infelizmente. independentemente do nível de instrução ou econômico. Os males de nosso país carecem de serem debelados simultaneamente através das suas causas e consequências. 

A prevenção tem que andar de mãos dadas com a repressão e vice-versa. Além das medidas de prevenção existentes, seria muito bom que as crianças e adolescentes fossem ensinadas a melhor utilizar os recursos públicos, como disse o sábio Salomão: “Ensina a criança o caminho que deve andar, e mesmo quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Para que isso aconteça é necessário a introdução no currículo escolar do Fundamental ao Médio, pelo menos, de matérias que façam o educando entender que o Estado não cria recursos, mas que os arrecada dos cidadãos, administra e aplica-os, por conseguinte, os bens e recursos públicos devem ser mais preservados e melhor utilizados.

 Deveriam estar mais integrados e participarem desse processo da conscientização, órgãos diretamente envolvidos nas atividades de Controle Interno, Externo, Educação, Polícias, Ministérios Públicos e setores da sociedade civil pertinentes a tais atividades. Bom seria que a visão de bom uso, parcimônia e zelo dos recursos públicos fosse estendida, também, aos Estados, Municípios e às famílias, Brasil a fora.

 A impunidade daqueles que cometem prevaricações no exercício do cargo público e abusos contra a economia popular tem sido constante. Isso por razões das mais variadas. Classe que se encontra no poder, auto comprometida, polícia e justiça deficientes (com carência de recursos humanos e materiais, ensejando grande espaço entra a ocorrência do evento delituoso e a sentença respectiva). Divulgações estrondosas dos escândalos envolvendo o Poder público e inexpressivas propagações das sanções, quando aplicadas.

 As comunidades locais poderiam cooperar mais com as autoridades no combate a esse mal nacional, o mau uso e depredação dos bens públicos, comunicando aos pais e juizados de menores, quando os infratores forem menores, colocando os nomes dos vândalos em locais facilmente lidos pela comunidade, nos boletins do condomínio etc. O infrator deveria ser punido não só penal, patrimonial, mas ética e/ou psicologicamente.

 Certa vez a mídia mostrou uma infratora de trânsito nos Estados Unidos cumprindo uma decisão judicial, andando pela rua com uma placa que dizia: “Só uma pessoa insensata com eu poderia passar pela calçada para ultrapassar um ônibus escolar.” Que a nossa Justiça tenha respaldo legal para imporem condenações tanto a transgressores do trânsito em infrações grotescas, como àqueles que dilapidam os recursos públicos ou o depredam.

 Quanto desperdício de alimentos, bens e serviços. Estes desperdícios começam em casa, passam pela escola, trabalho e por aí a fora. Já pensaram quanta coisa colocada no lixo que poderia ser aproveitada por alguém? Por que não criar uma central de coisas usadas que ensejasse a canalização das mesmas para instituições filantrópicas ou para serem distribuídas às pessoas carentes? Dizem que o nosso lixo é considerado um dos mais ricos do mundo. Há informações veiculadas pela mídia que o país desperdiça 39 mil toneladas de alimento por dia, que daria para alimentar 19 milhões de pessoas.

 Dentro de uma sociedade justa ninguém deveria ter o direito de mal gastar mesmo, o que é seu, porque nesse bem ou serviço tem trabalho incorporado de outrem, que deveria ser respeitado e alcançar a maior amplitude social possível quanto ao uso.

 Os bens e serviços postos à disposição da população deveriam ter melhor otimização na aplicação e uso por mais uma razão simples: desses, vários possuem insumos que são retirados da natureza e jamais são reincorporados a ela. Bom seria um freio ao consumismo do descartável, a natureza agradeceria, que na verdade ela é a voz criadora de Deus Criador, descrita no livro do Gênesis.

 O homem que nunca andou mais de 200 km do local de nascimento, que no entanto os exércitos, armadas e parlamentos juntos, jamais influíram tanto na história da humanidade quanto Ele, Jesus de Nazaré, que veio ao mundo trazer soluções espirituais, materiais e sociais, deixou um exemplo excepcional do bom uso e aplicação dos bens e recursos, quando após a multiplicação dos pães e peixes, disse aos seus discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca” João 6:12.

 O consumismo inconsequente tem sido uma doença nacional. Um Estado torna-se economicamente forte na razão direta da capacidade de poupança de seus cidadãos.

 Está sendo criada uma geração embrutecida, alimentada por fantasias das novelas e do maravilhoso mundo do consumismo. Quais as medidas tomadas pela Igreja de Jesus em nosso país, dentro e fora de suas paredes, para neutralizar essa ação maligna?

 É hora da formação de uma consciência ética mais elevada, e de uma cidadania mais responsável, para construirmos uma nação justa, sólida e, por conseguinte, feliz!

 Obs.: Este artigo foi publicado originalmente nos anos noventa no Informativo da UNITEC - União Nacional do Técnicos de Controle Externo do TCU, atualmente: AUDITAR: União dos Auditores Federais de Controle Externo.

 Manoel Soares Cutrim Filho, cristão, graduado em Ciências Contábeis e em Direito pela UNB, Auditor Federal de Controle Externo do TCU - aposentado, patriota, conservador e cristão. 

E-mail: cutrim@terra.com.br 


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