quarta-feira, 17 de junho de 2009

NOTÍCIAS MISSIONÁRIAS MOÇAMBIQUE


“Eu fui achado por aqueles que não me procuravam e apareci aos que não perguntavam por mim.” (Romanos 10. 20)
TESTEMUNHO
“…falou-me a respeito de Jesus, sendo que foi pela primeira vez na minha vida que eu ouvi falar dEle” O meu nome é Ussene, sou um jovem de 24 anos de idade, pertenço a tribo Koti do distrito de Angoche.
Nasci numa família muçulmana, desde criança o meu pai levava-me à mesquita, onde aprendi o alcorão que me ensinava a adorar Allah como deus.
Certo dia, passeando nas ruas do bairro, um dos representantes da Igreja de Cristo em Angoche chamou-me e falou-me a respeito de Jesus, sendo que foi pela primeira vez na minha vida que eu ouvi falar dEle. Ele me apresentou Jesus como único caminho para a verdade e salvação, e eu decidi seguir este Jesus. Falei ao representante da igreja que tinha muito medo da reação do meu pai quando este soubesse . Ele convidou-me para ir à igreja, assim comecei a frequentá-la às escondidas. Estava tão alegre por ter encontrado a Jesus que comecei a entoar em casa, as canções que aprendi na igreja, muito baixinho, mas os meus irmãos ouviram e foram falar ao meu pai, este quando descobriu, expulsou-me de casa e ordenou aos meus familiares que eu não poderia morar com nenhum deles.
Peguei as minhas roupas e fui para a casa do pastor que acollheu-me e deu-me todo apoio, assim vivi com ele cerca de dois (2) anos.
Perseverando no caminho do Senhor, a liderança da Igreja de Cristo trouxe-me para morar no Centro de Treinamento Missionário em Nampula. Eu tinha muita dificuldade em relacionar com as pessoas, muitas vezes fui disciplinado para mudar o comportamento, ficava triste, aprendi que o Espírito Santo poderia me mudar, Graças a Ele hoje sei me relacionar com as pessoas.
Eu tenho aprendido muito aqui na Missão Esperança, hoje estudo no 2º Ano do II Grau. Sou professor do Centro de Educação Esperança, leciono no 1º e 2º ano primário.
Gostaria de agradecer a todos que tem contribuido financeiramente e com orações pelo trabalho da Missão Esperança em Moçambique, pois como eu, há mais jovens que tem encontrado apoio aqui e tem tido a esperança de um futuro melhor!
Deus vos abençoe!
Ussene. Missionários: Kléber e Juracema Ribeiro
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quarta-feira, 10 de junho de 2009

SACERDÓCIO UNIVERSAL DE TODOS OS CRENTES



Manoel Soares Cutrim Filho *
Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe 2.9).

Conforme afirma Robert Hastings Nichols, “O protestantismo luterano e o reformado concordaram no princípio central da Reforma: O Sacerdócio de todos os crentes, a possibilidade do pecador dirigir-se ao seu Deus, pessoalmente, sem intermediários, exceto Jesus Cristo”. [1]
O Sacerdócio universal de todos os crentes é um dos princípios que Deus tem mais zelo na dinâmica de Sua Igreja, ao longo dos séculos, mas parte significativa dos líderes religiosos teima em deixá-lo de lado. A inobservância de tal princípio, possivelmente, é dentre todos, o que mais tem trazido mal à Igreja do Senhor Jesus, aqui na terra. O nepotismo, a corrupção e o clericalismo, próprios da Igreja Romana Medieval, que de alguma forma ainda se manifestam nos dias atuais e a perda da visão espiritual da Igreja Cristã do primeiro século têm muito a ver com a não observância do sacerdócio universal de todos os crentes.

O Senhor rompeu, prescindiu da ordem sacerdotal segundo Arão, o sacerdócio levítico (Hb 7. 11-14). Se desejasse que Jesus tivesse nascido de um descendente de Arão certamente teria nascido em Jerusalém, onde ficava o sumo sacerdote e demais sacerdotes, seus auxiliares, mas nasceu em Belém, criou-se em Nazaré e fez sua base ministerial em Cafarnaum, que não eram a capital política tampouco econômica de Israel. Jesus nasceu como descendente de Davi, que não obstante ter sido rei, Sua origem não era nobre, mas plebéia.

Que lição, dentre outras, tiramos destes aspectos relacionados ao local de nascimento e da ascendência de Jesus? Primeiro, a Nova Igreja constituída por Deus, em Cristo, não está fundamentada em uma linhagem especial de pessoas, mas numa linhagem espiritual, dos alcançados pela graça de Deus. O Seu evangelho e a liderança de Sua Igreja são para todos os povos línguas e nações, não necessariamente para pessoas de nobre nascimento. Segundo, Ele e Seus discípulos não estavam concentrados e não exerciam as suas principais atividades na capital política e econômica de Israel (Jerusalém), da mesma forma a Sua Igreja não deve ter uma dependência exclusiva dos grandes centros urbanos, mas espalhar-se pelas vilas, aldeias e povoados.
Segundo Ilídio Burgo Lopes, há três “princípios fundamentais da Reforma, comuns a todos os ramos do Protestantismo, e que estabelecem entre eles uma profunda unidade espiritual. São os que se seguem: 1 – A salvação pela fé; 2 – a autoridade da Bíblia; 3 – O sacerdócio Universal dos crentes”. [2] A Reforma proclamou que existe um sacerdócio universal dos crentes. Evidentemente, se todos os cristãos podem receber, pela fé, a salvação e o perdão dos pecados, não estão sujeitos a ritos sacerdotais, nem dependem de uma classe ou casta especial para obter acesso a Deus. [3]

Vários movimentos inspiraram os pioneiros das Igrejas de Cristo, dentre esses movimentos estão os valdenses e os lolardos. Os valdenses tentaram restaurar aquela comunidade de servos uns dos outros que se perdera na romanização da Igreja, por meio de uma vida simples e comunal; prática da ceia, do batismo e a pregação pelos leigos. Já os lolardos, liderados por João Wycliffe, que perambularam descalços pela Grã Bretanha, procurando restaurar a autoridade única e exclusiva das Escrituras na Igreja. Além das teses de seu líder, defendiam que o povo deveria ter a Bíblia na sua própria língua e que não há distinção ente o clero e o laicato.[4] e [5]

Há uma frase muito sugestiva que vi no site da Igreja de Cristo em São Paulo liderada pelo irmão Jeff Fife, que diz: "Não reconhecemos qualquer classe especial de clérigos, mas praticamos o sacerdócio universal de todos os crentes, fazendo todos responsáveis pela propagação de boa mensagem e progresso do trabalho da Igreja" (Mt 23.8, I Pe 2.9).

Com o tempo o sacerdócio universal do povo de Deus foi alterado radicalmente pelo romanismo, substituindo-o por uma classe “sagrada”. [6] O próprio clero foi absolvido pelo Papa, nele concentrando toda a autoridade, em cujas mãos estariam as chaves do Céu. Se ele se recusar em abrir a porta, ninguém, absolutamente ninguém, poderá entrar. Tornando-se uma tirania antibíblica e antidemocrática. Merle d’Aubigné diz que “Igreja era a princípio um povo de irmãos, mas estabeleceu, em seu seio, uma monarquia absoluta”. [7] Os nossos líderes devem ser respeitados, honrados, todavia, jamais idolatrados como, infelizmente, muitos ainda o fazem.

Contra essa tirania, reagiu a Reforma, e restituiu aos fiéis o direito sagrado, conferido pelo próprio Cristo, dando pleno acesso ao trono do Altíssimo. Vicente Temudo Lessa no seu livro “Lutero”, assim se exprime: “.... que todos os cristãos, pelo batismo, pelo evangelho e pela fé, pertencem ao estado espiritual, sejam clérigos ou leigos, sendo a diferença de ofício ou função apenas. A idéia então em voga excluía os leigos do serviço da Igreja”. [8] Ocorre que a Igreja Evangélica Brasileira, não obstante ter saído da Igreja Romana, ainda não deixou Roma sair dela, no que toca à visão do sacerdócio universal de todos os crentes, muito provavelmente pela forte influência da Igreja Católica desde a colonização do Brasil até aos dias atuais. Na mente do povo, a oração do padre vale mais do que a do simples fiel da igreja, da mesma forma que a oração do bispo vale mais do que a do padre. Será que a Igreja Evangélica Nacional é diferente?

Ainda conforme Ilídio Burgo Lopes, “O Sacerdócio de todos os fiéis preconizado pela Bíblia foi reconhecido como um dos princípios fundamentais do Protestantismo. A teologia medieval colocava a mediação do padre entre Deus e o pecador” [9]. A Igreja, com a doutrina das indulgências tornava essa mediação mais cômoda, a troco de alguns ducados. O acesso direto a Deus não era permitido e o Papa, por meio de uma “bula” tinha o poder de privar uma nação inteira dos serviços religiosos. Os reformadores, baseados nos textos bíblicos, pregaram a comunhão com Deus, pela mediação somente de Cristo, a clérigos e a leigos. [10]

A prática efetiva do sacerdócio universal de todos os santos (crentes) leva cada líder e cada cristão a uma vida despojada da soberba da busca de reconhecimentos e títulos, é o que constatamos no relato de J. Lee Grady, editor da revista evangélica americana Charisma, resultante de sua visita quando entrevistou líderes do movimento clandestino da "Igreja nas Casas" da China:
“Um líder me explicou que supervisiona 5.000 igrejas numa área rural. Você é um bispo ou um apóstolo? Perguntei, tentando entender os termos que eles usam. ‘Nós não usamos títulos’, me explicou. ‘Nós simplesmente nos chamamos de irmãos e irmãs’. O Sr.Yu, que é o nome que vou usar para ele, é como o apóstolo Paulo da China. Ele viu pessoas ressuscitarem de entre os mortos, e uma vez ele viu Deus paralisando sobrenaturalmente um oficial do governo que ameaçava suspender uma reunião evangelística ao ar livre. Mas o Sr. Yu não esperava nenhum tratamento especial ao passar algum tempo comigo e com seus colegas em janeiro. Ele usava uma simples camisa de manga curta, comeu o mesmo peixe com arroz que nós comemos, e comparecia para a oração como qualquer outra pessoa, antes de cada reunião. Geralmente ele tomava seu assento no fundo da sala (grifos nosso ).

Amados, confesso que ao transcrever as citações do parágrafo anterior, chorei! Chorei de vergonha diante do nosso Deus pelo Evangelho que parte significativa da Igreja Evangélica Brasileira está pregando e vivendo. Que Deus nos proporcione um Evangelho não centrado no ser humano e nas suas mesquinhas buscas pelo “sucesso ministerial”, mas no pregar e viver um evangelho centrado na Pessoa de Cristo. Só assim podemos ter o sopro do seu Espírito Santo, como Ele tem feito em grandes avivamentos ao redor do mundo! Lembremos que o nosso Deus não divide a sua glória conosco, Suas criaturas (Is 42.8b).

Deus Tenha misericórdia de nós e nos use, para a Sua glória, como seu povo, no Brasil !
* Manoel Soares Cutrim Filho, cristão,  conservador e patriota.
 
[1] NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã, Casa Editora Presbiteriana, 5ª Edição revisada, 1981, p. 173.
[2] LOPES, Ilídio Burgo, A Reforma Religiosa do Século XVI, Livraria Independente Editora, 1955. p. 35.
[3] LOPES, Ilídio Burgo, op. cit., p. 41.
[4] FIFE, Thomas W. Apostila: Igreja do Novo Testamento, p. 11. 1991
[5] WILLIAMS, Terri, Cronologia da História Eclesiástica, Edições Vida Nova, p. 71.
[6] LOPES, Ilídio Burgo, op. cit., pp. 41/42.
[7] "D’Aubigné, J.H. Merle. História da Reforma do Décimo-Sexto Século. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, s.d. apud Lopes, I. B., op. cit. p. 42..
[8] LOPES, Ilídio Burgo, op. cit., p. 42.
[9] LOPES, Ilídio Burgo, op. cit., p. 42.
[10] LOPES, Ilídio Burgo, op. cit., pp. 42/43.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O JOVEM E SUA VIDA AFETIVA

Manoel Soares Cutrim Filho *

“Cuida dos negócios lá fora, apronta a lavoura no campo, e depois edifica a tua casa”. Pv. 24.27

Na atualidade, é comum namorar na mais tenra idade. Até as crianças são induzidas nesse sentido, pelos próprios pais, parentes, adultos em geral e pela mídia. Há aquela pergunta: Você já tem namorado? Ou com algumas insinuações nesse sentido: você vai namorar com o meu filho ou minha filha. Isso passou a ser corriqueiro, bem diferente daquilo que é dito no versículo introdutório, onde verificamos que aquela pessoa que aspira constituir uma família, precisa primeiro ter uma base profissional, econômica e emocional, para fazer face às dificuldades naturais que surgem no casamento.
Recentemente num programa de televisão foi enfocada a sexualidade infantil e as causas para que a mesma estivesse tão aguçada: músicas picantes, novelas, filmes, roupas vestidas por artistas etc. Algumas mães entrevistadas que estavam levando as suas crianças para pista de danças sensuais disseram que a sensualidade só está na cabeça do adulto. Felizmente há bons profissionais na área psicológica, mesmo não sendo cristãos. Alguns profissionais foram entrevistados, vários disseram que tudo isso tem elevado a libido das crianças e até provocado as taras dos que tem desvio nessa área. Lembramos que nos Estados Unidos uma misse infantil de 6 anos foi encontrada morta, após ser violentada.
A revolução sexual dos anos sessenta, liderada pelos hippies, com drogas e tudo mais, levou a um aumento de gravidez indesejada, abortos e à instabilidade na família. Passamos de uma geração que não havia diálogo entre pais e filhos, na área dos relacionamentos afetivos e no tocante à sexualidade, para uma geração que às vezes há diálogo, mas tem como tônica a permissividade
Namoricos, o ficar, atrapalham a comunhão com Deus. Conhecem algum jovem que vive de namoricos e é cheio do Espírito do Senhor? Namoricos também precipitam casamentos, divórcios, mágoas, maternidade e paternidade precoce etc.
Os tempos mudaram, mas as conseqüências, do erro, da quebra dos princípios do Senhor, do pecado, continuam as mesmas. Infelizmente a não observância de alguns princípios comentados neste artigo têm trazido muita tristeza às famílias e a jovens virtuosos que teriam uma vida produtiva e plena de sucesso pela frente, mas que se deparam com uma maternidade ou paternidade precoce, muitas vezes acompanhada também de um casamento prematuro.
A Igreja Evangélica, que deve ser sal e luz do mundo, tem ido a reboque desses acontecimentos. Quando não tem estado omissa, muito pouco tem feito para esclarecer e alertar a mocidade sobre as implicações de um namoro prematuro. Um pequeno número de igrejas locais têm um trabalho consistente nessa área. Infelizmente alguns líderes enfrentam esse problema dentro de sua casa e com isso perdem a autoridade para falar sobre o assunto.
Algumas maneiras que podem ajudar o jovem a evitar os namoros antecipados: ser ensinado pela família e pela igreja, de forma mais intensiva, a respeito do tema; preencher bem o tempo; ter alvos elevados e andar em grupo, não ser uma “Maria vai com as outras”, dos tempos atuais. Investir nas boas amizades. É na adolescência e juventude que se forma a maioria das amizades mais profundas que irão continuar por toda vida. Isto se torna difícil quando os namoros começam muito cedo, dificultando o relacionamento de quem assim procede com outros de sua faixa etária.
As pessoas emocionalmente mais maduras estão em melhores condições de escolherem quem deve ser o seu cônjuge. Na fase da vida onde a emoção, a fantasia e o idealismo prevalecem, não há condições adequadas para uma escolha tão séria. Há aqueles que na adolescência imaginam ter encontrado o seu par ideal, muitas vezes casam bem jovens e, quando chegam a uma etapa da vida mais equilibrada e madura, percebem o erro que cometeram, aquela pessoa não é tão ideal assim!. Aí estão diante de duas opções: os que levam a sério o casamento procuram conviver com o cônjuge para o resto da vida, pedindo a misericórdia de Deus; para os mais liberais, a solução é o divórcio, com todas as conseqüências, principalmente quando surgem filhos.
Mas qual a idade ideal para o namoro? Isto varia de cultura e classe social. Podemos tirar algumas conclusões básicas: é necessário que a pessoa já possua certa maturidade emocional (esta não é próprio da adolescência), uma profissão; e que tenha condições iniciais ou boas perspectivas para sustentar uma família, juntamente com a pessoa com quem pretende namorar. Se lermos sobre a vida de Rebeca, esposa de Isaque, e Raquel, mulher de Jacó, podemos verificar que elas estavam preparadas para executar as tarefas que eram próprias das mulheres da suas épocas. Jacó, por outro lado, quando casou já era o responsável por todo o gado do seu sogro Labão.
Muitos relacionamentos não nasceriam se o jovem antes de tomar qualquer decisão procurasse ouvir de verdade a voz de Deus e a opinião de alguém com mais maturidade, próximo dele, seus pais como pessoas nascidas de novo, não sendo possível, alguém da liderança da igreja onde congrega, isto evitaria muita tristeza, dor ou percalços na vida. “Onde não há conselho fracassam os planos, mas com muitos conselheiros, há bom êxito” (Pv. 15:22). Quando um relacionamento é desfeito ficam feridas, normalmente não há espaço na mesma congregação para os dois, com isso a própria igreja também perde, na realidade, todos ligados àquelas pessoas perdem.
Os bons cristãos estudiosos do comportamento humano, apontam em uma direção, no sentido de que os padrões para os jovens buscarem um relacionamento afetivo duradouro estão em definir como prioritários os valores espirituais em primeiro lugar; depois os valores da alma, ou seja: o emocional, o caráter, as idéias acerca da vida etc; a atração física vem como conseqüência. Na prática a situação tem se invertido, a aparência física e os valores patrimoniais têm vindo na frente, o carisma tem sido prevalecente sobre o caráter; quando isto acontece, na maioria das vezes, as fantasias não resistem muito tempo depois de uma convivência mais estreita, vindo em seguida: as desilusões, tristezas e mágoas, que levam a uma quebra do vínculo conjugal.
Existe um dardo inflamado do maligno que tem trazido estrago em muitas vidas, chama-se: casamento misto. Vejamos o que a Palavra de Deus fala a respeito:
• Não contrairás matrimônio com os filhos dessas nações... (Dt. 7:3-4).
• O casamento de Esaú com mulheres não tementes a Deus tornou-se tribulação para Isaque e Rebeca (Gn. 26:35; 27:46).
• Não pode haver comunhão da luz com as trevas (II Co. 6:14).
Entendemos que a motivação básica do Senhor não consentir esse tipo de relacionamento é certamente porque a mais íntima comunhão (vida conjugal), que um homem pode ter com uma mulher e vice-versa, deve ser bem afinada. Nela há troca de informações, costumes, geração e criação de filhos, empreendimentos em comum etc. Se os dois não tiverem Cristo em comum, certamente não irão muito longe. Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo? Am 3:3.
Jovem, o seu sucesso na vida dependerá da compreensão e observância dos princípios estabelecidos por Deus na sua Palavra. Não deixe que sua vida seja nivelada por baixo, simplesmente pela maioria. Lembre-se: Deus tem o melhor para você! Portanto,Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração”. Sl. 37:4.

* Igreja em Caldas Novas.
E-mail: cutrim@terra.com.br

quarta-feira, 4 de março de 2009

A SOLTEIRIA PÓS-MODERNA, CONFLITOS E SOLUÇÕES

Manoel Soares Cutrim Filho (*)


Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”. Pv 17:17

Com o advento do intenso processo de urbanização, por meio de imigrações e migrações constantes, as cidades passaram a ser mais populosas, a sociedade mais impessoal e as civilizações mais artificiais.

A Perda do referencial da família, do local de nascimento (aldeia, vilarejo, bairro etc), trouxe danos irreparáveis ao relacionamento humano. Esses danos podem ser minimizados se houver boa vontade das pessoas e um bom ânimo nesse sentido. As pessoas são em geral tratadas por números, no bojo de uma estatística; encontram-se anônimas no meio da multidão. Isso tudo repercute muito no emocional.

Estes tempos pós modernos têm levado os seres humanos ao culto do individualismo. O importante é eu ser independente, garantir o meu espaço, o meu lugar ao sol, eu vou pensar em ser feliz. Ledo engano! Por que não ser feliz procurando o meu lugar ao sol?

Alguns dizem: o que é essencial, nestas épocas, é a minha profissão estar em primeiro lugar. Mas as pessoas não se lembram que depois de quinze ou vinte anos de dedicação exemplar a um a repartição ou empresa, as coisa podem mudar, sendo ela substituída sem e nem piedade. Onde Ficou a falta de cultivo das boas amizades, da vida afetiva? Simplesmente Ficou!

Vivemos num mundo que caminha para um empobrecimento da sociabilidade, da moral e da vida emocional, muito grande. Será que não seria bom pensarmos na relação ao custo benefício que isto está trazendo ou simplesmente fazer o que todo o mundo faz: Ir ‘empurrando com a barriga’!

Aos que pretendem ter o seu cônjuge: é fundamental saber onde está buscando-o. Certa vez ouvi, pela mídia, o depoimento de uma senhora que estava numa dessas noites de embalo, que disse: relacionamentos efetuados na noite têm no máximo 5% para progredir.

Fatores positivos e negativos que podem ser observados por uma pessoas solteira:

1 – Negativos: egoísmo, extremismo (ninguém presta para ser meu amigo; ou: sou amigo de todo mundo), vulgaridade, mesquinhez e tudo aquilo que afasta as pessoas.
2 – Positivos: buscar construir boas amizades, solidariedade; realizar algum projeto que fica difícil para o casado fazer (um curso bem exigente, viagens exóticas, etc.), enfim: tirar proveito da situação.

Poucos se dispõem a investir em amigos. A música de Milton Nascimento e Fernando Brant diz: Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito. foi dito que uma pessoa pode resistir melhor os sofrimentos se tiver a certeza que pelo menos uma pessoa o ama. Pesquisa realizada Em Vancouver no Canadá onde pegaram dois grupos de participantes num torneio para resolver problemas dificílimos de matemática. Um dos grupos puderam ter amigos por perto, mesmo que esses não poderiam resolver as questões, mas ajudariam somente com a sua presença. Aqueles que tiveram que resolver os problemas sozinhos sofreram um aumento de pressão arterial muito maior que aqueles que estavam acompanhados de seus amigos

A Medicina tem provado que o afeto produz uma descarga de substâncias que fazem bem. Entre elas estão as que fazem parte do sistema imunológico, como as interleucinas. Outra substância produzida a partir da presença de um amigo é a endorfina, uma espécie de bálsamo para muitas dores humanas. “A amizade não libera a endorfina, mas diminui a tensão interior. É como o corpo se desarmasse, estando em um porto seguro”, afirma o cardiologista Marco Aurélio Dias, do Instituto Dante Pazzanese, em S. Paulo.¹ 

Se na hora de uma angústia a pessoa puder contar com outra por perto, estes momentos de dor podem ser minimizados. Tudo que se reparte diminui de tamanho, diz a homeopata Denise de Castro Menezes. Paciente que costuma desabafar tem uma melhor evolução, garante.¹

Estar com outro significa menos vulnerabilidade à depressão, explica Ari Rehfeld, professor de Psicologia da PUC de S. Paulo. Carinho e colo não fazem mal a ninguém. A amizade não cura depressão, mas ajuda amenizá-la, afirma o psiquiatra Rubens Pitliuk. Alguém diz que é melhor estar do que mal acompanhado. No entanto, vale a pena deixar de lado a má companhia e procurar um bom amigo. ¹  

Conclusão
Solteiro, mas feliz. Essa foi a minha experiência, pois casei aos 41 anos. Construí e curti boas amizades, pratiquei a solidariedade, atuei em movimentos sociais, classistas, viajei bastante! Tudo isso continuo fazendo, dentro de uma outra realidade. Pude me divertir muito, em grupo. É uma boa maneira de evitar relacionamentos com o sexo oposto que podem nos trazer problemas no futuro. Deixemos para nos relacionar de forma mais particular, com a pessoa do sexo oposto, que Deus tem separado para cada um de nós, dentro dos propósitos dEle. Enfim: tire proveito da situação, buscando estar sob o efetivo Governo de Cristo e Ele te encaminhará. Isso vai nos possibilitar uma solteiria temporária ou definitiva, mas FELIZ !

AMIGO/AMIZADE
Amigos compartilham momentos, dão força!!
Estão sempre ao nosso lado!
Nas conquistas, nas derrotas, nas horas boas, nas difíceis.
Amizade nem sempre é pensar do mesmo jeito, mas abrir mão ... de vez em quando!
Amizade é como ter um irmão ...que não mora na mesma casa!
É compartilhar segredos ..., emoções ...
É compreensão ...
É diversão!
É contar com alguém ... Sempre que precisar!
É ter algo em comum! É não ter nada em comum! É não ter nada em comum, mesmo!
É saber que se tem mais em comum do que se imagina ...
É sentir saudade ...
É querer dar um tempo!
É dar preferência ...
É bater um ciuminho...
Amizade que é amizade nunca acaba! Mesmo que a gente cresça!
Mesmo que outras pessoas apareçam em nosso caminho!
Porque amizade não se explica!
Ela simplesmente acontece! (Autor desconhecido)

“Quem não buscar a solução para os seus problemas emocionais e espirituais, mais aflitivos fará adoecer os seus relacionamentos presentes e futuros. Não precisamos nos casar para sermos felizes, mas sendo felizes podemos construir um bom relacionamento conjugal.” Manoel Soares Cutrim Filho

(*) Bacharel e Ciência Contáveis e em Direito pela UNB, ex-Auditor Federal de Controle Externo do TCU e discípulo de Cristo em Caldas Novas - GO

Notas

__________________

¹ Receita-se Amigo, ISTOÉ de 10.03.99

INDÍGENAS, OBJETO DA GRAÇA DE DEUS

Manoel Soares Cutrim Filho*

“... e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.” At. 1:8.Com os mais de quinhentos anos do descobrimento do Brasil, pomo-nos a pensar sobre a grande dádiva recebida dos povos indígenas que habitavam aqui, antes que viessem os portugueses: a nossa culinária, língua, artes, costumes, plantas, ervas medicinais, frutas e cultura em geral, refletem a influência dos silvícolas. 

Os primeiros habitantes de nossa pátria e do continente americano constituem um povo bonito, habilidoso e no seu estado natural são muito alegres.

 O denominado “homem branco” foi e em alguns casos tem sido implacável com os nossos índios: matando-o, seviciando-o, escravizando-o, degradando-o, etc. Alguns ditos civilizados não tinham certeza se os nativos possuíam alma.

 O processo de integração na cultura ocidental tem sido na maioria das vezes traumático e levado muitos á marginalização, transformando-os em bêbados e mendigos.

 Como povo brasileiro temos sido influenciados pela história preconceituosa contada pelo conquistador, pelo colonizador, no sentido de que os indígenas são selvagens, sem alma, preguiçoso, etc. Como cristãos devemos romper com essa mentalidade, e quando aparecer um indígena em nossas igrejas, que o nosso sentimento não seja de reserva, desconfiança, ou vê-los como alguém inferior, pois é bom lembrarmos que muitos de nós somos também descendentes de índios, que junto com o branco e o negro formam as três raças básicas da nossa etnia.

 Ao recebermos um índio em nossas igrejas, seja com mais amor, mesmo que ele venha como pedinte. Além de estarmos cumprindo um mandamento, podemos estar abrindo portas de alguma aldeia aberta para a propagação do Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo.

 Graças a Deus que missionários evangélicos, americanos e europeus, têm ao longo de algumas décadas, trabalhado no meio de diversas tribos dos nossos silvícolas, anunciando a Palavra de Deus e traduzindo-a para as respectivas línguas. Mesmo com todas as dificuldades, por serem estrangeiros, a semente tem ficado. Podemos incluir nesse mister, alguns missionários brasileiros.

 Algum tempo atrás, tomamos conhecimento do trabalho realizado por missionários evangélicos com indígenas na Amazônia, que alegrou muito o nosso coração, na matéria da Veja nº 6 de 11.02.98, pg. 52/56, intitulado: A Lei da Bíblia na Selva, trabalho começado nos anos 40, por uma missão americana. Enche-nos de júbilo quando tomamos conhecimento, por meio de um veículo de comunicação secular, do bom desempenho de um trabalho verdadeiramente cristão no meio dos índios. Gostaríamos de transcrever alguns trechos nesse sentido:

“Na porção mais remota da mata, às margens do rio Içana, vivem as tribos baniva e curipaco, duas das mais interessantes comunidades de toda aquela área. Essas duas nações reúnem cinqüenta aldeias, habitadas por índios que têm título de eleitor, sabem ler e escrever e adoram cantar o Hino Nacional, sem ter, no entanto perdido a essência de sua herança indígena.

A convivência harmônica do mundo com o antigo é mais espantoso quando se sabe que foi Jesus Cristo — o Deus dos Brancos — outrora uma ameaça para a cultura indígena, que acabou garantindo sua sobrevivência. Eis uma novidade capaz de abalar muitas das teorias antropológicas, mais especificamente a que via o evangelho como um vilão responsável pela aculturação indígena. .... a Bíblia converteu-se num poderoso veículo de coesão cultural.

Hoje, protegidos pela natureza e pela religião, eles parecem prontos para sobreviver, como índios e cidadãos”.

 Sabemos que na obra do Senhor, trabalhamos é para Ele e não para o homem, quem sabe seja firmado nesse entendimento que o povo evangélico muito pouco divulga os seus trabalhos que também possuem repercussão no campo social. Acreditamos que se faz necessário uma maior divulgação de trabalhos dessa natureza, para que o arraial evangélico e a comunidade em geral tomem conhecimento e possam externar as suas formas de ajuda. Quantos trabalhos como esse mostrado na matéria da revista Veja, ainda há pelos rincões desse imenso Brasil?

 Talvez pela falta de visão e por sermos muitos grupos distintos, cada um com suas dificuldades próprias, fomos muito omissos, até então, na evangelização dos povos indígenas. Sabemos que missionários de outros ramos do cristianismo têm trabalhos em muitas tribos na Amazônia, infelizmente pregam e vivem um evangelho que não transforma. Essas missões têm dificultado a entrada de missionários evangélicos, em muitos casos. Entendemos que está na hora de acordarmos, como povo evangélico do Brasil, e cumprirmos o Ide do Nosso Senhor Jesus para com os índios brasileiros.

 Temos ânimo para enviar missionários a povos não alcançados, em outros continentes, o que é muito bom, no entanto, há um número significativo de lugarejos distantes no Norte, Nordeste e Centro Oeste que não possuem uma igreja evangélica, bem como tribos dos nossos aborígines que ainda não foram alcançados pelo Evangelho. As igrejas evangélicas no país têm um potencial muito grande para efetivar mudanças da realidade social, eclesiástica e, sobretudo, espiritual dos povos indígenas que habitam as terras brasileiras. Se a Igreja Evangélica Nacional desejasse já teria evangelizado os lugarejos distantes e todas as tribos indígenas do nosso país. Que possamos ir “aos confins da terra” sem, no entanto, esquecermos de “Samaria”.

 Glórias ao Senhor, porque o seu povo tem contribuído e contribuirá para o cumprimento da visão apocalíptica do Apóstolo João: “Depois destas cousas vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;” Ap. 7:9.

 * Esposo, pai, patriota, conservador e cristão.

              E-mail: cutrim@terra.com.br

























quinta-feira, 22 de maio de 2008

CHÁCARA: BÊNÇÃO MALDIÇÃO?

Manoel Soares Cutrim Filho *
A população brasileira, até o início da década de setenta, era uma população, na sua maioria, rural; isso há pouco mais de trinta anos [1]. A maior parte das famílias que residem nos centros urbanos e moram há três ou quatro gerações no Brasil tem sua origem rural. Talvez seja isso que explica o fascínio do brasileiro por chácaras ou sítios, como, em algumas localidades do país, costuma-se chamar.
Há vários irmãos na fé que são fazendeiros. As suas famílias – geralmente, esposa e/ou filhos – moram na cidade, onde estes estudam. Esses irmãos sofrem com a distância de seus entes queridos. Em alguns casos, passam mais de mês fora de casa, e isso traz uma série de dificuldades no relacionamento intrafamiliar. Mas, tratando-se de uma questão de sobrevivência, torna-se mais suave quando existe apoio da esposa e dos filhos, e a distância da cidade para a propriedade rural possibilita a ida da esposa e/ou dos filhos, aos finais de semana, para estarem em família.
Tenho um tio que mora em uma casa numa das maiores cidades do país. Nessa sua propriedade urbana, ele tem amplo terreno, com pequeno bosque, pomar, horta etc. Ali, concentrou todas as economias que conseguiu na vida. Ele diz com sabedoria: “a melhor chácara é aquela onde a gente mora”.
Entretanto, quando a aquisição de uma chácara é por opção de lazer, para o cristão evangélico, que tem seu compromisso dominical com a igreja onde congrega, a coisa muda de figura. Ao adquirir uma chácara, ele adquire também uma concorrente com sua vida congregacional e, na maioria das vezes, com reflexos significativos na vida devocional, e, conseqüentemente, espiritual e familiar. É o que tentaremos abordar nos parágrafos que se seguem.
A chácara não se torna, dessa forma, uma bênção para o adquirente, sua família ou a igreja em que este congrega. Diferentemente de quando o seu proprietário ou ocupante mora na mesma ou dela tira o seu sustendo, e congrega perto ou pode-se ausentar para cultivar também sua vida de comunhão com a igreja. Nesse caso, tem a bênção do Senhor e da sua Igreja, pois é seu meio de sobrevivência e de sua família.
Observa-se que, para o cristão evangélico comprometido com uma igreja local, a chácara não se torna um problema quando para lá se desloca, durante a semana ou de forma bastante esparsada; mas, torna-se maldição quando seu proprietário ou ocupante faz dela um ídolo ou esconderijo, trocando a comunhão dos irmãos na igreja em que congrega por permanecer ali, isolado de todos.
Assim, a chácara pode ser fonte de discórdia e divisão no seio da família, principalmente quando o líder da casa, de per si, ou o casal, decide ir todos os finais de semana para a mesma, mas o cônjuge e/ou os filhos – notadamente quando são adolescentes ou jovens – decidem não acompanhar o pai ou o casal.
Ademais, a chácara torna-se um forte concorrente nos dispêndio da economia familiar, pois, como alguém já disse: “ter uma chácara é ter duas famílias”. Pois há muita coisa que temos na casa da cidade e na chácara em duplicata: mobília, eletrodomésticos, material de cama, mesa e banho, etc.
Daí, existir um dito popular referente à chácara: “Há duas alegrias, em relação a uma chácara: uma quando se compra, outra quando se vende”.
Amado, pense bem sobre qual a sua real motivação e quais as eventuais implicações ao adquirir uma chácara para seu deleite. Faça antes estas perguntas: 1) Tenho apoio da família para esse empreendimento? Pois as pessoas não se sentem responsáveis a implementar o que não foram chamados para decidir. 2) Vou glorificar a Deus com essa aquisição? 3) Irei me tornar um crente mais fiel, ardoroso e comprometido com a causa do Evangelho?
Se a resposta a uma dessas perguntas for negativa, evite adquirir essa propriedade.
Lembre-se, hoje há várias opções de hotéis fazendas onde podemos matar um pouco a saudade da “vida da roça”. Decida ficar com a sua família e com a comunhão da igreja onde congrega.
Conforme diz a Escritura: “quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus Pai” (NVI: 1 Co 10. 31). O Nosso Deus te honrará nessa tua decisão.

 * Igreja em Caldas Novas – GO. 
E-mail:cutrim@terra.com.br


[1] BRITO, Fausto., Horta, Claudia Juliana Guimarães e AMARAL, Ernesto Friedrich de Lima. A Urbanização Recente no Brasil e as Aglomerações Metropolitanas.
in www.abep.nepo.unicamp.br/iussp2001/cd/GT_Migr_Brito_Horta_Amaral_Text.pdf

quarta-feira, 19 de março de 2008

CLERICALIZAÇÃO DA IGREJA



Manoel Soares Cutrim Filho *

A mola mestra que nos propulsionou na elaboração dessa matéria é a expansão do Reino do Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do crescimento sadio da sua Igreja.

Na visão neotestamentária, todos os nascidos de novo são sacerdotes: “... sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus...” (1 Pe 2:9). Há uma religação pessoal do homem com Deus por intermédio de Jesus, sem intermediário humano. Esta foi a ênfase dos apóstolos, de todos os reformadores e daqueles que têm se insurgido contra o clero dominante e opressor, ao longo da História da Igreja. Líderes sim, mas não intermediários entre Deus e seu povo. Os apóstolos estimulam a Igreja a obedecer e a honrar aos seus guias (Hb 13.17).

Não existe espaço no sacerdócio universal de todos os crentes para a criação de classes especiais de líderes. Na igreja dos dois primeiros séculos o líder era alguém da congregação e assim continuava sendo. Ele não precisava afastar-se do povo para preservar a sua autoridade. A sua autoridade era medida pela sua capacidade de servir, de dar-se ao povo e pelo povo. Hoje em algumas igrejas e denominações há verdadeiras castas onde existem líderes de primeira grandeza, de segunda, terceira, etc., juntamente com cada uma dessas grandezas estão seus familiares e protegidos, esses grupos são, em alguns casos, verdadeiros semideuses, com direito a segurança pessoal, sala “vip” nos restaurantes ou refeitórios onde participam de eventos. Há diferença desses procedimentos para o sacerdócio levítico que o Senhor extinguiu?

A clericalização tem sido um fenômeno cíclico na História da Igreja. Dentro da realidade social do Brasil, lembro de um fenômeno, que a meu ver, é pertinente mencioná-lo, por trazer possível semelhança com a matéria que ora tratamos — foi a preferência que era dada aos bacharéis no tempo do Império e parte da República, quando alguém ia estudar na Europa, inexoravelmente voltava bacharel, em Direito ou Letras, não em uma profissão tecnológica, mas tornava-se um especialista em burocracia. Um simples técnico para a manutenção dos engenhos ou engenheiros, para a construção de estradas, eram importados. Enquanto isso países europeus e os Estados Unidos estavam bastante envolvidos com os inventos que propulsionaram o progresso dos mesmos. Quando acordamos do sonho da ‘República dos Bacharéis’, e descobrimos que precisaríamos ter profissões multidisciplinares, o atraso era grande. Se a igreja acordar a tempo pode ser conhecida pela igreja da multiplicidade dos dons e não pela igreja essencialmente episcopal.

O clericalismo da igreja está ligado muito com a perda da visão de servir daqueles que atuam no serviço religioso, ao contrário do que disse Jesus: “... que não veio para ser servido, mas para servir...” (Mt:20:28). Isto aconteceu com os levitas do Velho Testamento, fariseus do tempo de Cristo, o clero após a oficialização do cristianismo por Constantino e até aos nossos dias. “Vantagens espirituais não devem ser usadas para interesses pessoais, exaltação própria e esquecimento de glorificação do Deus Todo-Poderoso”, disse Waldiberto Moreira, quando pastor da Igreja de Cristo em Taguatinga Sul – DF, na colação de grau dos formandos da turma de dezembro de 1998, da Faculdade Teológica Cristã do Brasil .

Alguns fatores contribuem para o surgimento desse fenômeno, ora apreciado, dentre outros podemos citar a necessidade que o homem tem de dominar, controlar, ser o centro das atenções, ser reconhecido, daí acercar-se de mecanismos para a consecução de seus objetivos, outro fator que tem contribuído para permanência do fenômeno em consideração é a fraqueza psicológica da maioria das pessoas, que estão sempre reivindicando: “queremos um rei, queremos um super-homem que resolva os nossos problemas e nos defenda”. A atitude do povo que professa a Deus, nos dias de hoje, não é diferente da atitude tomada pelos hebreus no tempo dos juízes: “... constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós...” (1 Sm 8:5). Este é o grande engodo que contribuirá para o surgimento do anticristo. Segundo alguns escatologistas, a humanidade possui grande expectativa de ter à sua frente um super-homem (messias), para solucionar os seus problemas.

O título na comunidade dos santos não deveria ser visto como status, mas serviço, isto é servir. Chamamos com todo informalismo: Jesus, Pedro, João, Paulo, Tiago (apóstolos), mas os nossos clérigos quando não os tratamos de Reverendo, chamamos de Pastor, Bispo, Apóstolo, Pai Apóstolo, quem sabe, em breve, Arcebispo ou mesmo de Papa. Em alguns casos até parece um sacrilégio chamar um pastor de irmão, sem primeiro trata-lo pelo seu título. Que evangelho é esse? Se o próprio Iniciador desse evangelho disse: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos” (Mt 23:8). Não venham os intérpretesoficiais” do evangelho dizer que Jesus não quis dizer bem isso!  O respeito, o apreço a consideração são necessários, mas não, a criação de outra casta de cristãos. O formalismo afasta as pessoas. Certa vez um pastor amigo disse-me que ao chamar um colega pelo nome, aquele retrucou: Por favor, fulano, me chama de pastor, pois senão o povo não me respeita. Pena que atitudes como essas permeiam o Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo!

A discriminação é tão grande entre pastores e leigos, a qual é também praticada pelo próprio povo, e raramente vemos um líder de formação eclesiástica posicionar-se a respeito, possivelmente para não causar suscetibilidades junto aos seus colegas ou por conveniências pessoais. Em alguns casos essa discriminação chega a ser piadesca, como a anedota contada no meio de líderes evangélicos: “Certa vez uma igreja mandou um representante para realizar um trabalho em determinada cidade do interior, foi recebido pelo líder da igreja local, passaram a conversar e num dado momento o líder local chamou o irmão enviado, de pastor, este disse que não era pastor, mas evangelista; imediatamente o irmão hospedeiro gritou para a esposa e disse: mulher, solta o frango e cozinha a abóbora, porque o irmão é evangelista!

“Na Bíblia, os leigos são todo o povo de Deustanto o clero como o ‘laicato’ (leigo significa literalmente do povo, e vem do termo laos, povo). É um termo honroso, que todo o povo de Deus em Cristo é escolhido para sersacerdócio real, nação santa, povo [laos] de propriedade exclusiva de Deus’” (1 Pe 2.9). [1]

Numa visão neotestamentária não existe distinção entre clero e leigo. Para o objeto da nossa reflexão: o presbítero, evangelista, diácono ou mesmo, o irmão que não é um oficial de uma igreja, mas é conhecedor da Palavra do Senhor, comprometido com a obra, de bom caráter e que goza de reputação junto à igreja local, tem sido objeto de muito desprestígio. Qual tem sido a razão para isso? Se essas pessoas não estão bem preparadas bíblica e teologicamente, que as igrejas e denominações invistam na formação dos seus obreiros!

Uma igreja de porte médio, em qualquer cidade média do país pode ter uma classe de Escola Dominical para formação de obreiros. Nela sendo ministrado ao longo de um ou dois anos matérias tais como: Doutrinas Básicas do Cristianismo, História da Igreja, Geografia Bíblica, Administração Eclesiástica, noções de Hermenêutica, noções de Homilética, Aconselhamento, Ética Cristã, etc. Ao término desse curso, uma pessoa não neófita estará apta para assumir uma congregação, Escola Dominical ou qualquer departamento de uma igreja, e até um pastorado. Descentralizando as atividades da mesma e desafogando o pastor para o que é mais próprio de seu ministério à luz da doutrina apostólica: ensino da Palavra e a oração (At. 6:2 e 4). Uma igreja local que transfere o ensino dos seus líderes para um seminário ou faculdade teológica, está fadada a morrer por engessamento clerical, é uma morte lenta, mas certa, assim indicam os vinte séculos de História da Igreja Organizada. Nada contra que alguém busque aprimorar os seus conhecimentos teológicos em um curso dessa natureza, mas devem esses conhecimentos se adequarem à realidade da igreja e não a igreja se adequar à realidade desses conhecimentos obtidos nos cursos teológicos, ou seja, academizar-se.

Os prejuízos que essa visão tem trazido à igreja têm sido grande, a ponto de que uma visita, ou uma oração efetuada por uma pessoa que não seja o pastor, não tem um mesmo valor. Há expressões: ele não é um pastor, mas é uma bênção; pastores e obreiros, etc. Será que um pastor também não é obreiro?

Segundo alguns comentaristas, uma das características dos nicolaítas foi a introdução da ênfase ao clericalismo da igreja.

Por que muitos querem ser pastores sem ter o ônus de pastorear? Porque como tal, são mais reconhecidos ou assim encontram reconhecimento.  A igreja é cúmplice nisso e em especial boa parte de seus líderes, por sua atitude silente, que em muitos casos é cômodo.

Por que são ordenados pastores que não estão à frente de um rebanho e nem querem estar? Não banalizemos o dom pastoral! “Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1 Tm. 3.1).  Alguns podem até dizer que eles não vão dirigir uma igreja, mas poderão ser usados para professores de Escola Dominical, liderar os adolescentes, jovens, casais, etc. Para tais atividades deva o obreiro ser necessariamente pastor? Grandes igrejas existiram e existem sem essa sistemática e funcionam muito bem com líderes nessas áreas sem nunca terem frequentado um seminário ou faculdade teológica. Procedimentos dessa natureza que aproveitem melhor as pessoas da congregação como seus líderes, estão mais próximos dos ensinos apostólicos. Igrejas que possuem muitos de seus líderes com o título de pastor sem estar efetivamente exercendo, não poucas vezes surgem disputas e vários constrangimentos, no seio da igreja local, que repercute na vida espiritual do Corpo.

Os líderes devem lembrar do sacerdócio universal, exercido por todos os santos. Nãomonopólio no exercício sacerdotal da obra do Senhor. Uma igreja local deve exercer o seu ministério pleno, por meio de todos os dons espirituais e ministeriais. Na visão neotestamentária, cada membro tem o seu ministério definido. O ministério não é do pastor, ele tem seu ministério, como membro da igreja local, aliás, uma das principais tarefas de um pastor é contribuir para que cada crente descubra e exerça o seu ministério com desenvoltura [2]. É bem verdade que a liderança espiritual de uma igreja local sempre que possível, deve ser exercida por um irmão ou irmã que tenha dom ministerial de pastor.

Hoje as igrejas urbanas do nosso país, como nunca, pela graça de Deus, têm homens e mulheres que exercem profissões na vida civil e militar, com farta instrução secular, bem comprometidos com o Reino, preparados na Palavra do Senhor, mas quantos desses exercem o ministério da Palavra, tendo oportunidades para serem preletores em congressos, convenções e encontros das igrejas e denominações?

Tudo isso pode levar ao surgimento de uma igreja meramente eclesiástica (monopolizada pelo clero) e formal. A história tem exemplos, nesse sentido. Uma das implicações de sacerdotes e fariseus com Jesus era porque ele não estudou em suas escolas. A própria Reforma Protestante aponta nesse sentido. João Wichiffe, João Huss, Lutero, Zuínglio, Calvino, e outros reformadores estavam cansados desse monopólio, estimulando que pessoas do povo pudessem pregar e liderar os trabalhos.

O clericalismo da igreja é algo tão sério que sempre tem desembocado num preciosismo acadêmico, que precede uma ação inquisitiva e de exclusivismo do clero na interpretação das Sagradas Letras. Isso foi assim com os escribas e fariseus no tempo de Jesus; com o clero romano que além de proibir que a Bíblia fosse lida ou traduzida para uma língua popular, a saber, não canônica, proibiram qualquer manifestação, estudo, análise ou debate que não fosse sob a coordenação da igreja oficial. Mas Deus levantou homens como Jonh Wycliffe, na Inglaterra, que traduziu o Novo Testamento para o inglês e Lutero, na Alemanha, que traduziu a Bíblia para o alemão. Por taispecadosesses nossos irmãos não foram mortos por providências divina, permitindo que o momento pelo qual eles assim agiram lhes fossem favoráveis.

Alguns dizem que a Igreja Evangélica Brasileira saiu de Roma, mas Roma não saiu da Igreja. O querem dizer com isso? É que a ênfase da autoridade está no clero. Da mesma forma que os fiéis da Igreja Católica respeitam mais o bispo que o padre, porque este tem mais autoridade. Na Igreja Evangélica não é diferente, os pastores são mais respeitados que os simples irmãos que não têm nenhum cargo clerical, mas se na denominação tiver bispos ou apóstolos, estes têm um reconhecimento mais elevado que os pastores. Onde puseram o sacerdócio universal de todos os crentes?

Outro ponto perigoso sobre o assunto é de uma igreja essencialmente eclesiástica ser levada a um profissionalismo tal que os membros deixam de envolver-se com a obra, tudo fica centralizado no clero, afinalprofissionais pagos para trazerem os sermões e cuidarem de todos os ofícios religiosos, visitações, discipulados e por que não a evangelização também? Os denominados países pós-cristãos representam exemplos de igrejas que começaram assim.

O processo de clericalização da igreja existe desde tempos mais remotos como mencionamos anteriormente. Pouco depois da morte de nosso Senhor tivemos a morte de Estêvão, o primeiro mártir do cristianismo,­­ cujo apedrejamento foi promovido pelo clero da época, o mesmo ocorreu com vários cristãos anônimos, mas o processo chegou ao apogeu com a romanização da igreja, instituindo a “santa inquisiçãoem diversas fases, onde vários mártires tombaram por essa causa, ou foram duramente perseguidos, como Pedro Valdo (Século 13). Seu maiorpecadodentro da visão romana foi buscar a restauração da comunidade cristã de servos uns dos outros [3]; vários reformadores também bateram nessa tecla; João Hus, Savanarola e outros mais, que foram martirizados ou perseguidos.
Quando o nosso conceito de ministério é conforme o que temos no Novo Testamento, nós paramos de fazer essa dicotomia clero/leigos. Todos passam a ser ministros (servos-doulos), e , temos uma igreja de verdadeiros sacerdotes. A participação dos membros da igreja não é mais assistir a uma série de ‘cultossemanais, passivamente, nos bancos, mas é a realização dos serviços de evangelismo, de edificação, de comunhão, de ministração, de intercessão, discipulado e muitas outras tarefas, nas casasdurante a semana”. [4]
Em toda a História da Igreja do Senhor Jesus na terra, o leigo (se assim podemos chamar), não o ignorante, mas aquele que não passou por um seminário, ou uma ordenação formal, teve e tem um papel fundamental no cumprimento da Grande Comissão do Senhor Jesus, com vistas à expansão do seu Reino aqui na terra. Poucas denominações têm encontros nacionais ou regionais de obreiros não clérigos, e quando isso acontece regularmente, traz grande crescimento para a igreja e motivação para esses trabalhadores da seara.

Qual a igreja que desejamos até que Jesus volte? Uma igreja clerical, constituída dos bemesclarecidos”, dos profissionais do clero, engessada, formal e distante do povo? Ou uma igreja formada e liderada por pessoas vocacionadas pelo Senhor para viverem e propagarem o Seu Evangelho de forma pessoal e com autoridade?

* Manoel Soares Cutrim Filho, cristão, conservador e patriota.              E-mail: cutrim@terra.com.br

[1] Stevens, Paul, A Hora e a Vez dos Leigos, pag. 24, ABU Editora, 1ª Edição – 1998.
[2] Ibidem, p. 138. 
[3] Fife, Thomas W, A Igreja do Novo Testamento, p. 11, apostila, de 1991. 
[4] Costa, Iran Bernardes, Valores Ético-Sacramentais Para um Ministério Saudável, p. 73.

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